Exposições

“Inóspito. Estranho. Tudo aqui se move, aparentemente, a um ritmo frio e agressivo. Tudo me repela a vontade de entrar. Como é possível, (mar), seres habitado por humores tão distintos?”

2023

Essência

“A convite da Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro de Angra do Heroísmo, Adolfo Mendonça desafiou-se a expor o seu lado artístico mais pessoal. Reservado e calmo, observador por natureza, espelha o seu íntimo nesta exposição em que nos questiona a curiosidade de ir para além do que nos é oferecido à primeira vista. No paralelo entre a criação, o mar e os seres, somos impelidos a esquecer a superfície e deixarmos que o interior nos ofereça uma realidade complexa e bela.

Com trabalho consolidado a nível regional, nacional e internacional, em que nos habituou a um trabalho criativo e exímio em cerâmica, inspirado na intemporalidade da Natureza, Adolfo Mendonça explora as suas criações de forma exaustiva e repetitiva em “ESSÊNCIA”. As sete obras apresentadas incitam o visitante a despir os seus preconceitos sobre o exterior áspero e árido das mesmas e a observar e absorver o interior fascinante. Adolfo consagra assim a sua assinatura como uma identidade íntima, em que necessitou de se despir das camadas superficiais da sua própria arte e mergulhar na sua essência.”

Inês Melo

“Quando amuas assim fazes-me acreditar que não te faço parte. A curiosidade, porém, é mais forte do que essa força que me empurra para fora de ti. Com as pontas dos dedos sinto a superfície da tua matéria. Mergulho com olhos postos nesse abismo áspero que me ofereces.”

essência 2/7

“Enquanto a luz se vai dobrando vejo outras camadas dessa natureza. Conheço a tua profundidade. As tuas formas de vida forjadas a pressão. Tortuosos começos num ambiente hostil, árduos ciclos que fabricam seres-diamante. Fico estarrecido por poder testemunhá-los, como que desenhados com precisão por o génio criativo do Universo. Detalhes geométricos. Cores vividas só em sonhos. Formas belas. Tudo movido a um compasso lento, coreografado por alguém que se especializou em flutuar em graça. Quero ficar e absorver mais e mais e mais. A tua essência não me cansa, reinventa-se.”

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2021

Excertos

“Para o ilhéu – gente ou rocha isolada no oceano – é Deus o mar. A matéria, massa líquida sujeito de maravilha e temor, ainda guarda todos os mistérios. A ciência diz que só lhe conhecemos uma muito ínfima parte. Há quem não cesse de procurar. Adolfo Mendonça é dos que procuram – e fá-lo com olhos e mãos de espanto, que só têm os mais afortunados.

É dessa busca que nasce o seu trabalho. É na cerâmica que dá forma àquilo que vê, permitindo-nos, assim, ver e descobrir também. São peças sempre delicadas, ainda que nelas caibam toda a força marítima e todos os seus elementos: os bichos, as pedras, as ondas. É aqui que o artista se move e vai continuar a mover-se. Não estranha, por isso, que esta primeira exposição nos pareça familiar. Tudo se interliga: os materiais, as cores, o objeto de inspiração, mas sobretudo a sensibilidade de quem compreende que há mais para além da superfície das coisas – que para estar e ser é preciso observar o mundo camada a camada e surpreender-se com a travessia.

“Excertos” é, por isso, mais uma viagem, agora pelas sensações marinhas – um passeio a quatro tempos pela profundidade das águas, pelas cores que adquirem na primavera, no verão, no outono e no inverno, pelas formas e texturas que assumem na sua liquidez.”

Oriana Barcelos

“Excertos” são pedaços, porque o mar não se traga de uma vez só; são águas para mergulhar de olhos bem abertos.

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